by Nuno Faria
Nuno Faria Desafios / Defiances [...]
Nuno Faria Desafios / Defiances [...]
Frida Baranek (Rio de Janeiro, 1961) é uma escultora cujo percurso despontou no início da década de 1980, no seio de uma geração que recuperou a integridade e a potência das disciplinas artísticas tradicionais. [...]
Artista brasileira, mas cujo playground é o mundo, autodidata, Frida Baranek adora desafio confrontar a diversidade e as transformações que a vida oferece. A exposição Dentro/Fora, na Galeria Hugo França, em Trancoso, é uma fantástica [...]
Entre as tantas reinvenções da modernidade está o fato de termos gradativamente mudado o lugar e o estado das relações sociais. Se na Idade Média o objetivo era perdurar e estabelecer laços fixos e imutáveis, nos tempos atuais o deslocamento e a maleabilidade são chave para a compreensão de um mundo novo e flexível. [...]
Among the many reinventions of modernity lies the fact that we have gradually shifted the place and state of social relations. If in the Middle Ages the aim was to endure and establish fixed and immutable bonds, in contemporary times displace-ment and malleability [...]
Always on the move, Frida Baranek’s trajectory in the past few decades has been marked by the journey itself rather than by any specific destination. Dislocating between Rio de Janeiro, São Paulo, Paris, Berlin, New York, and London, she is currently based in Miami, on her way to Lisbon. Her peripatetic path has been touched by the intensity of her encounters and unforeseen situations as she seeks out, welcomes, and embraces new possibilities and challenges.
Perspectivas Recentes Da Escultura Contemporânea Brasileira
O que se pretende colocar em questão é a escultura. Mais do que isso: trata-se de apresentar as possibilidades atuais de escultura. O momento de destruição dos cânones clássicos pelas radicais ações modernas não foi só uma total reformulação do tema, do objeto e das técnicas; foi também uma subversão do lugar da escultura. Pode-se dizer que, a partir daí, como se submetida a devastadoras forças centrípetas e centrífugas, ela foi deslocada de sua posição paradigmática: centro do espaço. Suprimida a verticalidade originária, desfeita a base, encontrou-se [...]
Galeria Sergio Milliet (Outubro 1988)
Pode-ser fazer e pensar a escultura como jogo de equilíbrio, construção, justaposição de formas. Ou pode-se imaginar a obra como produto de uma ação, como se fosse um instante (imóvel, porque sem tempo) recortado na parábola de um movimento. O primeiro tipo de escultura se expande, idealmente, na horizontal, cria e estrutura um espaço. O segundo mergulha em profundidade, através de duas falsas extensões: a hipótese de um passado e a promessa de um futuro desenvolvimento. Os trabalhos de Frida Baranek parecem restos, testemunhos de um desastre. [...]
Aperto 90 - XLIV Venice Biennale*
A relação com o espaço é a essência do cogitar tridimensional na expressão criativa de Frida Beranek. Simultaneamente, o material se impõe de modo impositivo por sua agressividade, captada a primeiro impacto. Catastrofista pela utilização de elementos conotativos de uma sociedade industrializada, a “assemblage’ deconstrutivista preside suas instalações vitais em sua espacialidade: pedra (granito ou mármore), chapas de ferro, vergalhões e arames oxidados compõem seu vocabulário de discurso veemente, na aparência puramente intuitivo. [...]
Rio de Janeiro, 1999
Entulhos. Monturos de ferro e pedra. Restos de uma construção desastrada. Assim pode parecer a escultura recente de Frida Baranek ao olhar que sucumbir frente às exigências lógicas de sua obra. A própria artista propõe a tentação da falácia na referência às situações “reconstrutivas de sua escultura”. Nos últimos anos, depois do pouso e do alarido da pintura neo-expressinista, assenta-se a poeira dos prazeres pictóricos. Passou uma banda de música, que deixou seus sons e pintura. Agora vê-se melhor a cena da escultura no Brasil. [...]